Crise de enxaqueca vs Pandemia - MI Diagnósticos
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Crise de enxaqueca vs Pandemia

Crise de enxaqueca vs Pandemia

Como a tensão causada pelo coronavírus interferiu no número e na intensidade de crises de enxaqueca

A enxaqueca é uma doença neurológica e genética, que tem na dor de cabeça seu sintoma mais conhecido. Ela ocupa a sexta posição entre as doenças mais incapacitantes, segundo a Organização Mundial de Saúde e é também uma das principais causas de absenteísmo e queda de produtividade.

Fatores como ansiedade, estresse, angústia e rotina inadequada de sono somados com o medo do coronavírus em si, as preocupações financeiras, a sobrecarga de trabalho e o isolamento prolongado têm causado um aumento na frequência e intensidade das crises de enxaqueca

A doença é considerada crônica quando se manifesta em pelos menos 15 dias por mês e o seu diagnóstico é clínico, isto é, nenhum exame é capaz de identificar a doença. As crises podem durar de quatro a 72 horas. A dor de cabeça moderada a severa é latejante e atinge a testa e as têmporas, podendo descer até o pescoço e os ombros.

O estresse está entre os fatores que desencadeiam as crises de enxaqueca. Outros gatilhos importantes são a privação de sono, o jejum prolongado, a pouca ingestão de água, o sedentarismo e o consumo em excesso de cafeína, bebidas alcoólicas e alimentos gordurosos e muito condimentados.

Nesses tempos atuais, o medo e as incertezas provocados pela pandemia têm contribuído para aumentar as crises de enxaqueca. O que estamos vendo hoje nos consultórios são pessoas que antes tinham episódios esporádicos e agora são acometidas quase diariamente de dores de cabeça e outros sintomas associados à doença. Para piorar, as crises acirram a ansiedade, as oscilações de humor, a irritabilidade, a angústia e outros problemas mentais. Consequências nada positivas em um momento tão desafiador.

A Covid-19 também contribuiu para o aumento da automedicação. Por medo da infecção pelo coronavírus, muitas pessoas tentam minimizar os sintomas tomando anti-inflamatórios ou analgésicos sem indicação. Acontece que, se a pessoa ingerir medicamentos mais de duas vezes por semana, pode ser vítima da “dor de cabeça de rebote”, uma consequência do excesso de medicamentos e do aumento progressivo das doses necessárias para alívio das crises. O efeito rebote costuma agravar os sintomas e tornar os incômodos mais frequentes e severos.

A boa notícia é que a enxaqueca pode ser controlada. Com remédios adequados e sob prescrição médica, a ocorrência de crises é espaçada e a intensidade dos sintomas, amenizada.

Muitos gatilhos das crises de enxaqueca estão relacionados aos hábitos de vida. Manter uma rotina de alimentação balanceada, sono adequado e atividades físicas equilibradas favorece o bem-estar de quem sofre com a doença.

O paciente deve ainda evitar luzes intensas, o consumo excessivo de álcool e ruídos altos, além de manejar o estresse, ainda mais durante a pandemia.

Fonte: Veja Saúde

Thais Villa, neurologista.